
Eu já estava pronto para ir conversar com um anjo e resolver algumas pendências trabalhistas. Para quem não sabe, o anjo tem que desempenhar muito bem suas funções para continuar no cargo. Nas verdade, eu queria era me livrar de um anjo que com o tempo pensou que era humano e resolveu cair na gandaia. Eu queria também era arrumar outro anjo, mas isso é complicado e eu sou por demais exigente na seleção. Queria escapar de tipos com falas grotescas, sem metas, sem cultura e sem ambição. E por aí, fui procurando um profissional que reunisse as habilidades que o cargo exigia.
Como a vaga era para um anjo que acreditasse em seu potencial, respeitasse seu protegido e tivesse um bom currículo, não tive pressa na escolha e decidi que não escolheria com pressa para não contratar anjinhos com diplomas falsos.
Na minha cabeça, eu seria frio e cauteloso na decisão e de repente me vi diante de centenas de currículos. Pensei até em fazer dinâmica de grupo, mas isso está ultrapassado e passado é algo que nem curto lembrar.
Vários foram os testes e entrevistas e nada de aparecer um profissional que atendesse minhas expectativas. Achei que o problema era divulgação e resolvi procurar alguns amigos em busca de indicações. Só recebi indicações problemáticas. Dou até este conselho a vocês: não peçam e nem dêem indicações de anjos. Quem tem um bom anjo não demite, e caso demita é porque não era tão bom. Isso vale para qualquer profissional.
O tempo foi passando e os trabalhos acumulando. O anjo que seria substituído já não cumpria bem suas atribuições e deixava muito a desejar. Eu estava fazendo o meu trabalho e o dele. Não tive outra opção e dei férias sem data de retorno, enquanto eu penso se darei baixa na carteira profissional com ou sem justa causa.
Como a minha vida é muito atribulada, eu sabia que teria que contratar alguém com urgência. Com vários afazeres semanais, tais como reuniões, palestras e seminários eu nem tinha de pensar em um novo anjo. Resolvi então deixa pra lá e parei de aceitar currículos. Era um saco, pois vivia com a caixa de e-mail lotado de currículos sem conteúdo, sem contar com as mensagens na caixa do celular. Pensei comigo mesmo: o problema desse ser meu. Devo ser um protegido muito exigente ou muito centralizador.
Nesse intervalo de tempo, apesar do corre-corre da vida, encontrei com o meu antigo anjo da guarda num shopping e vi que ele até que parecia estar curtindo muito esse momento de descanso. Achei até que de repente era isso que ele necessitava: férias. Pensei até em chamá-lo de volta, mas me contive e lembrei de seus últimos vacilos profissionais. Depois deste dia, resolvi mudar os critérios e retornar a caça a um bom anjo de guarda.
Às vezes tenho idéias originais e uma delas fui eu mesmo virar um caçador de talentos. Para isso, tive que largar alguns afazeres que eu tinha delegar outras e mudar um pouco a rotina. A principio, as mudanças foram em vão. Mas com o tempo eu já estava tão calejado que resolvi para de procurar até mesmo por cansaço.
Passaram alguns meses e o trabalho aumentando. Uma das funções do anjo da guarda é trazer sorte e despertar consciência ao protegido e isso já estava fazendo falta em minha carreira. Resolvi de imediato que para atender a demanda de serviço acumulado já não poderia ser um anjo viciado ou com asas cansadas. Teria que ser um anjo com super poderes. Aí, a escolha foi quase impossível.
Um dia , já no ápice do desespero e convencido de que os anjos não estavam evoluindo de acordo com o mercado, esbarrei com um anjo diferente. Daqueles do tipo que nem sabe o seu potencial angelical. Quando bati o olho, foi de primeira. Essa criatura é a certa para a vaga. Então, fiz uma proposta de contrato de experiência só pra ver se a criatura dava conta do recado. Não é que o “projeto de anjo”, com todo respeito deu um show de eficiência em curto espaço de tempo. A contratação foi algo certo e não tinha outra opção. Ela não teve regalia e nem QI e teve que passar por todas as fases. A única diferença é que a criatura não buscava esse trabalho. Consegui convence-lo de que ser anjo pode não ser tão fácil, mas é algo recompensador. Afinal, você ajuda alguém a esse mérito ninguém tira. Às vezes, para isso é só dizer um bom dia.
Eu não espero um anjo da guarda 100% eficiente, mas até este conseguiu me surpreender. A fase de adaptação ao novo trabalho acabou e resolvi assinar a sua carteira. Claro, que este anjo tem lá seus defeitos, custei a descobri-los. Eu suponho que ele tenha faltado a algumas aulas da faculdade dos anjos. As vezes, a criatura consegue chegar ao extremo de me transformar em seu anjo. Pasmem! Tenho que virar anjo, nessa altura do campeonato, mas até que a criatura merece. Mas, sinceramente, eu não sabia que anjos precisassem de anjos da guarda. Porém, essa criatura é especial. Diferentemente, de todos os anjos que entrevistei para o cargo e que ninguém percebe que são anjos, esse anjo recém-contratado se entrega no olhar. Torço pela criatura continuar no cargo, afinal a sua proteção é valiosa. Acho que o salário oferecido e a amizade adquirida contarão na sua decisão. Mas uma coisa é certa: acabei me especializando em “coaching angelical”.
Como a vaga era para um anjo que acreditasse em seu potencial, respeitasse seu protegido e tivesse um bom currículo, não tive pressa na escolha e decidi que não escolheria com pressa para não contratar anjinhos com diplomas falsos.
Na minha cabeça, eu seria frio e cauteloso na decisão e de repente me vi diante de centenas de currículos. Pensei até em fazer dinâmica de grupo, mas isso está ultrapassado e passado é algo que nem curto lembrar.
Vários foram os testes e entrevistas e nada de aparecer um profissional que atendesse minhas expectativas. Achei que o problema era divulgação e resolvi procurar alguns amigos em busca de indicações. Só recebi indicações problemáticas. Dou até este conselho a vocês: não peçam e nem dêem indicações de anjos. Quem tem um bom anjo não demite, e caso demita é porque não era tão bom. Isso vale para qualquer profissional.
O tempo foi passando e os trabalhos acumulando. O anjo que seria substituído já não cumpria bem suas atribuições e deixava muito a desejar. Eu estava fazendo o meu trabalho e o dele. Não tive outra opção e dei férias sem data de retorno, enquanto eu penso se darei baixa na carteira profissional com ou sem justa causa.
Como a minha vida é muito atribulada, eu sabia que teria que contratar alguém com urgência. Com vários afazeres semanais, tais como reuniões, palestras e seminários eu nem tinha de pensar em um novo anjo. Resolvi então deixa pra lá e parei de aceitar currículos. Era um saco, pois vivia com a caixa de e-mail lotado de currículos sem conteúdo, sem contar com as mensagens na caixa do celular. Pensei comigo mesmo: o problema desse ser meu. Devo ser um protegido muito exigente ou muito centralizador.
Nesse intervalo de tempo, apesar do corre-corre da vida, encontrei com o meu antigo anjo da guarda num shopping e vi que ele até que parecia estar curtindo muito esse momento de descanso. Achei até que de repente era isso que ele necessitava: férias. Pensei até em chamá-lo de volta, mas me contive e lembrei de seus últimos vacilos profissionais. Depois deste dia, resolvi mudar os critérios e retornar a caça a um bom anjo de guarda.
Às vezes tenho idéias originais e uma delas fui eu mesmo virar um caçador de talentos. Para isso, tive que largar alguns afazeres que eu tinha delegar outras e mudar um pouco a rotina. A principio, as mudanças foram em vão. Mas com o tempo eu já estava tão calejado que resolvi para de procurar até mesmo por cansaço.
Passaram alguns meses e o trabalho aumentando. Uma das funções do anjo da guarda é trazer sorte e despertar consciência ao protegido e isso já estava fazendo falta em minha carreira. Resolvi de imediato que para atender a demanda de serviço acumulado já não poderia ser um anjo viciado ou com asas cansadas. Teria que ser um anjo com super poderes. Aí, a escolha foi quase impossível.
Um dia , já no ápice do desespero e convencido de que os anjos não estavam evoluindo de acordo com o mercado, esbarrei com um anjo diferente. Daqueles do tipo que nem sabe o seu potencial angelical. Quando bati o olho, foi de primeira. Essa criatura é a certa para a vaga. Então, fiz uma proposta de contrato de experiência só pra ver se a criatura dava conta do recado. Não é que o “projeto de anjo”, com todo respeito deu um show de eficiência em curto espaço de tempo. A contratação foi algo certo e não tinha outra opção. Ela não teve regalia e nem QI e teve que passar por todas as fases. A única diferença é que a criatura não buscava esse trabalho. Consegui convence-lo de que ser anjo pode não ser tão fácil, mas é algo recompensador. Afinal, você ajuda alguém a esse mérito ninguém tira. Às vezes, para isso é só dizer um bom dia.
Eu não espero um anjo da guarda 100% eficiente, mas até este conseguiu me surpreender. A fase de adaptação ao novo trabalho acabou e resolvi assinar a sua carteira. Claro, que este anjo tem lá seus defeitos, custei a descobri-los. Eu suponho que ele tenha faltado a algumas aulas da faculdade dos anjos. As vezes, a criatura consegue chegar ao extremo de me transformar em seu anjo. Pasmem! Tenho que virar anjo, nessa altura do campeonato, mas até que a criatura merece. Mas, sinceramente, eu não sabia que anjos precisassem de anjos da guarda. Porém, essa criatura é especial. Diferentemente, de todos os anjos que entrevistei para o cargo e que ninguém percebe que são anjos, esse anjo recém-contratado se entrega no olhar. Torço pela criatura continuar no cargo, afinal a sua proteção é valiosa. Acho que o salário oferecido e a amizade adquirida contarão na sua decisão. Mas uma coisa é certa: acabei me especializando em “coaching angelical”.
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