segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A alegria de encontrar você








Era noite de muita chuva. Eu caminhava, sem rumo e sem vontade de voltar. A única coisa que eu buscava era a felicidade. Mesmo se quisesse voltar, já era tarde demais. O corpo estava cansado e faltavam energias para continuar de pé. Resolvi então, parar em baixo de uma árvore para me proteger da chuva e de repente me vi num lugar em que pensava conhecer, mas não sabia de onde. Fiquei ali parada por alguns instantes até que a chuva cessou. Em questão de minutos surgiu um grande clarão no céu. Era noite de lua cheia e a ela estava presa timidamente entre as nuvens. O céu estava lindo e infinitas estrelas ajudavam a decorar aquele cenário inesquecível.

Naquele dia, eu pensava que tudo estava perdido. Aquele desespero e a vontade de sumir foram aos poucos sendo substituídos pela paz e pela força de viver. Percebi que algo em mim tinha mudado. Ainda não sabia o que havia acontecido, mas tive a certeza que a Lua tinha alguma responsabilidade sobre aquilo.
Fiquei ali contemplando as estrelas e esperando a Lua nascer exclusiva pra mim. Lembro-me que antes de fugir, eu me encontrara preso sob a luz do Sol. No início eu gostava do Sol, mas ele com o tempo foi ficando quente demais e me enfraquecendo com sua alta temperatura. Descobri que eu era proibida de ver a noite. Quem me prendia sabia que minhas forças viriam das noites enluaradas e por isso durante anos ele me isentou desta chance de ganhar vida nova.

Em pouco tempo eu já estava abastecida de energia suficiente para continuar meu caminho em busca da felicidade. Fui caminhando por uma rua deserta quando vi algo se mexendo perto de um arbusto. Fiquei com medo e resolvi espiar de longe aquela criatura. Mesmo distante, percebi que era um jovem que estava gemendo e inconsciente. A minha vontade de ajudar era tão grande que me aproximei e tentei reanima-lo. Eu não sabia o que fazer, pois o jovem estava muito fraco e não conseguia falar o que acontecera. Resolvi pega-lo no colo e leva-lo comigo para tentar salvar sua vida.

Em poucos minutos, percebi que seu coração voltara a bater intensamente e ele parecia estar acordando de um sono profundo. Quando o vi de olhos abertos, perguntei se estavas bem e um sorriso veio como resposta. Rapidamente, ele foi melhorando e constatei que minha energia estava revigorando suas forças. Ele custou a falar e quando queria me dizer algo, usava os olhos. Custei a entender o que estava acontecendo.

Após algumas horas fui percebendo que ele sentia a mesma coisa que eu senti quando corríamos desesperadamente sem destino. Nós dois estávamos sob o comando de algo desconhecido até então. Ele me confidenciou que também ficara preso, porém ele era proibido ver o Sol. Conversamos durante um tempo e cada um foi revelando ao outro o que eram proibidos de ver. Eu pude esclarecer para ele sobre os raios solares e ele me falava das fases da lua. Foi um dialogo muito importante para nós. Era a nossa oportunidade de conhecer o desconhecido.

Fui tentando decifrar aquilo tudo que estava acontecendo, mas a única coisa que eu descobri era que nós dois não estávamos ali por acaso. Concordamos, mas de inicio não queríamos aceitar a idéia de que a prisão era necessária. Em nossas respectivas vidas aprendemos várias coisas que pareciam em vão. Isso dava medo, pois estávamos perdidos e sem referência. Dois desconhecidos e cada um com uma força diferente e necessária para ajudar o outro.

Ficamos ali, parados olhando para o céu. Esperávamos coisas distintas. Eu precisava da Lua e ele do Sol. Tivemos a impressão que um de nós dois sairia prejudicado. Afinal, a Lua estava presa pelas nuvens e meu corpo não agüentaria esperar mais 24 horas. E ele ficaria muito desabilitado se aguardasse o Sol que só iria aparecer ao amanhecer. O silencio dominava a situação e aqueles momentos que seriam novamente para tristeza, foram de muita esperança. Tínhamos a certeza de que não estávamos ali sem motivo.

O tempo foi passando e estávamos muito fracos e o frio foi dominando nossos corpos. Resolvemos nos encostamos e um foi aquecendo o outro com a temperatura do corpo. Ao abraçá-lo, senti uma forte atração por ele. Sentíamos que a nossa pele teve um contato mágico e quando percebemos estávamos trocando os mais prazerosos carinhos que um casal poderia trocar. Não tínhamos muita força, mas a vontade de estar junto era tão grande que descobrimos que algo diferente estava acontecendo conosco. Quando olhamos olhos nos olhos nos falamos por eles e sem pronunciar uma palavra entendemos que era um encanto muito forte. Tão forte que sabíamos que fisicamente não duraria muito tempo, mas que se repetiriam com o tempo. Aquele momento era nosso. Não sabíamos quem morreria por falta de energia, mas tínhamos a certeza de que um cederia energia ao outro até o último instante. Ninguém tinha o direito de roubar aquele momento. Nem mesmo quem nos tinha prendido.

Quando estávamos novamente muito enfraquecidos e quase desistindo de tudo, nos abraçamos novamente e ficamos assim olhando um para o outro tentando descobrir porque tinham feito aquilo conosco. Num abraço mais apertado descobri que algo diferente acontecia com nossos corpos. Estávamos muito excitados e com um desejo forte de possuir um ao outro. Não conseguíamos dominar essa situação e mesmo fracos começamos a nos amar ali mesmo. Eu chorei de felicidade e ele dava gargalhadas de alegria. Por alguns instantes ficamos distraídos com a situação e quando percebemos estávamos nus e expostos à luz do Sol e da Lua e sob o comando dos mesmos. O Sol e a Lua precisavam se encontrar para juntos somar suas energias. Pensávamos que tudo era um sonho. Mas, quando abrimos os olhos, descobrimos prazerosamente que acontecera um lindo eclipse.

Nenhum comentário: