
O Rio de Janeiro continua lindo... O Rio de Janeiro continua sendo... O Rio que é palco do melhor Carnaval do mundo, da mais bela queima de fogos do fim de ano e que fez um PAN de tirar o chapéu, hoje mostra que apesar de lindo e alegre, também é um verdadeiro "produtor" de mosquitos. Então, porque não dizer que aqui se faz o melhor desfile de doentes e blocos de subúrbios a procura dos hospitais. Ah! Tem também as arenas, desta vez não de eventos esportivos, mas sim de atendimentos emergênciais para as pessoas infectadas.
Os cariocas devem continuar com o orgulho de ser carioca? Eu digo que sim, apesar dos políticos jogarem contra e cantarem o samba enredo sem ritmo e sem harmonia. Prova disso é a falta de política pública voltada à saúde. Na hora da crise é que vemos o quanto deixou de ser investido em prevenção e combate ao mosquito Aedes. Será que o PAN, o revellon e o Carvaval são mais importantes que a saúde de uma população? Falo isso, mas não desmereço a importância histórica, econômica e social destes eventos. O Pan-americano que se realizou há poucos meses foi um enorme sucesso para a cidade. Ganhamos estádios, reforço policial e muito mais prestigio internacional. Um detalhe importante: Muitos dos jogos foram realizados onde hoje se encontram os maiores focos do mosquito e concentração de infectados. Aí eu lanço as perguntas: E se os jogos acontecessem hoje? Será que a política de prevenção e os investimentos não seriam feitos de forma diferente?
É importante lembrar que temos que aproveitar esse momento único de "preocupação das autoridades públicas" para fazermos uma reflexão. Uma pergunta que não sai da cabeça dos cariocas: Será que a preocupação maior não é por causa das eleições municipais? Que crueldade! Espero que não seja essa a atitude dos governantes.
Um Rio com a saúde é um Rio com todos os hospitais e postos de saúde funcionando perfeitamente. O que vemos hoje são filas de horas para um atendimento e pessoas morrendo por causa de um mosquito. E isso tudo em pleno século XXI. É inadmissível que um mosquitinho possa ser mais forte que a união de um Exército, Secretarias de Saúde e PACs.
Não consigo acreditar que dezenas de crianças morrem por culpa de uma "pocinha de água" do quintal do vizinho ou de uma plantinha no vaso de uma outra vizinha. As crianças morrem porque não há médicos preparados e nem hospitais com capacidade. Morrem porque não há prevenção da Dengue nas ruas. Morrem porque há descuido das autoridades competentes. Morrem porque o investimento em saúde pública diminuiu. E por fim morrem porque uma parte da sociedade também não leva a sério a prevenção, assim como uma parte dos políticos. Esperamos que como em anos anteriores, essa fase de Dengue passe e rapidamente cesse essa calamidade. Ainda bem que o mosquito "sai fora" em alguns meses e deixa a população em paz. Não devemos deixar que o Pós Dengue seja o retorno do Rio a mercê de uma nova epidemia.
Nos já temos preocupações demais com educação, violência e transporte e isso é fato. A cidade pode ser tão maravilhosa como a canção. Mas, ela acima de tudo tem que ser maravilhosa em cada carioca, em cada criança, em cada turista e em cada ser vivo que tem o privilégio de estar no Rio.
O ano de 2009 será o ano de mudanças para o Rio. A cidade terá um novo prefeito e teremos aí uma grande chance de ver uma luz. Seria uma luz que irradiasse o Rio e mostrasse que os blocos teriam que ser só de foliões, as arenas só de esporte e as crianças só de vida. E, não esquecendo, que mostrasse que o Rio de Janeiro continua lindo... Que o Rio de Janeiro continua sendo... E depois dos PACs será um Rio mais lindo ainda.... Assim esperamos.
E por falar em PACs... Nunca na história desse país se vendeu tanto repelente no Rio.... nunca na história desse país se vendeu tanto inhame no Rio e nunca na história desse país o perfume mais usado pelos cariocas é o OFF. E tenho dito.




